É inútil tentar compreender o pensamento do atual Papa
Francisco sem buscar entender minimamente o papel que os Jesuítas desempenharam
na história, a ordem religiosa é, portanto, o ponto de partida da análise, e
não a pessoa Bergoglio.
Somos produtos de uma determinada trajetória, em parte
escolhida por nós, e de outra forma imposta pelas condições da natureza e
principalmente pela história. Nascemos em um determinado local, com uma determinada
família, cultura, religião, valores e tudo mais, não são nossas escolhas, são processos
naturais, e nesse contexto real, passado e presente, vamos moldando nossa personalidade
do futuro. Sendo assim, não há Ser humano que não mude de pensamento e ação ao
longo da vida, a relação, homem, natureza e sociedade, é dinâmica, dialética, e
detê-la seria impossível de nossa parte, tanto quanto pretender parar o
movimento dos astros pelo espaço.
Do mesmo modo como o universo expande e se contrai, o homem
progride e retrai, e em todos os campos, da ciência a religião, então, representa
grave erro tentar impor o passado ao presente, bem como pensar que o homem está
destinado somente a progressão de forma linear e infinita, não, pois a roda da
história também gira para trás, para o bem e para o mal.
Essa reflexão anterior visa tirar o peso excessivo sobre a
pessoa de Bergoglio, tão injustamente incompreendido sob alguns aspectos, assim,
podemos enxergá-lo como um ser comum, sujeito a acertos e erros, próprio dos
humanos. Devemos também considerar que vivemos em uma sociedade que sente a necessidade
do “julgar”, de encontrar responsáveis para isso ou aquilo, óbvio, que por
natureza o homem tem sede de respostas, mas não pode almejá-la a qualquer
custo. Nada pode ser tão demagógico e leviano, que um racionalismo que exalta a
razão ignorando a realidade e a experiência acumulada pela sociedade em sua
jornada terrestre, o Mestre já havia nos advertido, “Não Julgueis para que não
sejais julgados (Mt 7,1)”.
Vamos começar fazendo uma avaliação, ao menos superficial,
sobre a ordem dos Jesuítas e o seu papel desempenhado na história.
Quem foi o Fundador da Ordem Companhia de Jesus? Um espanhol
chamado Inácio de Loyola, nasceu em 1491, e o que nos importa registrar nesse
momento é que foi militar e que defendeu Pamplona da invasão francesa, saindo
ao final, gravemente ferido da batalha.
Ao que sabemos a enfermidade o aproximou do Divino, sendo a vida e o testemunho
dos Santos uma motivação especial, o que lhe ajudou a superar os sofrimentos,
concedendo-lhe uma nova compreensão acerca do significado da vida. Adquiriu, no
entanto, especial devoção a Virgem Maria, onde aos seus pés teria colocado a
espada e o punhal para simbolizar a mudança de direção, porém, não renegou a
disciplina militar, transportando-a para o novo desafio, comportamento que
ajudaria a vida missionária dos Jesuítas.
Dedicou-se então a vida religiosa e aos estudos, obteve
sucesso na tarefa, passou pela França, Jerusalém, Inglaterra, mas não sem
problemas, chegou a ser tratado como herege, mas com muita coragem, prosseguiu os
trabalhos, inclusive fazendo seguidores. Graças a enorme esforço, Inácio e seus
colegas foram ordenados sacerdotes em 1537, um passo importante ao
reconhecimento do grupo, pois apenas três anos após, 1540, o Papa Paulo III
permitiria a criação da ordem e Inácio de Loyola seria escolhido para ser o
superior da congregação. A Igreja tinha lá suas razões, uma vez que Espanha e
Portugal estavam em grande expansão territorial, era o período das grandes
navegações.
Como a Igreja iria alcançar e catequisar as novas colônias
na África e América?
A Igreja aproveitaria as qualidades dos novos soldados de
Cristo e sua disciplina, se beneficiaria das missões marítimas do governo, ao
mesmo tempo em que segurava a reforma e a expansão protestante.
O governo por sua vez tinha grande interesse em doutrinar os
novos povos, africanos e índios americanos, catequizá-los facilitaria o domínio
dos territórios. Não por acaso, a ordem
cresceu rapidamente e os Jesuítas tornaram-se a maior ordem religiosa. Expandiu-se
também para a Índia e a China. Claro que o evangelho por vezes contrasta com os
interesses dos governos, nem sempre Igreja e estado caminharam juntos de forma
suave como quer fazer crer alguns historiadores tendenciosos. No aspecto
negativo a Igreja disputou poder, dinheiro e terras, no positivo combateu
injustiças e abusos estatais, principalmente os relacionados a moral e a pobreza
generalizada.
Os povos catequizados receberam a língua e a cultura
europeia, tarefa nada fácil dos Jesuítas, mas, prevaleceu a grande capacidade
intelectual destes sacerdotes e a férrea disciplina, infelizmente houve uma opressão
paralela por parte dos estados a fim de acelerar a dominação. O poder dos Jesuítas cresceu tanto que contrastou
muitas vezes com a direção central da Igreja e com governos locais, tornaram-se
na verdade, fortes e influentes gerando desconfiança.
Chegaram ao Brasil junto com a expedição de Tomé de Souza em
1549, e por nossa terra pisaram missionários de peso como, Padre José de
Anchieta, Manoel de Nóbrega, Manoel de Paiva, Antônio Vieira e outros. Em 1760
a ordem foi expulsa do Brasil pelo Marquês de Pombal devido ao receio do
governo português, também seriam expulsos posteriormente da Espanha e França. A
desconfiança atingiu a própria Igreja em seu ponto máximo, vindo o Papa
Clemente XIV a extinguir a ordem em 1773 através do documento Dominus ac Redemptor, tempos depois a
Congregação voltou a legalidade com o Papa Pio VII em 1814. Aqui se encontra a
razão pelo qual um determinado cardeal tenha sugerido ao novo Papa a adoção do
título Clemente XV, sabiamente, Bergoglio fugiu do sentimento de vingança.
Coragem e capacidade intelectual são aspectos dignos de
admiração na vida de todo Jesuíta, devemos acrescentar, a sensibilidade social
e o trabalho pastoral como pedra angular da missão, sem o qual, o conhecimento
sobre Jesus não alcançaria muitos lugares.
Essa é a herança histórica que moldou a formação intelectual
de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, disciplina, estudos de filosofia,
literatura, teologia, humanidades, e até química antes de entrar para o
seminário. Bergoglio, foi ordenado sacerdote em 13 de Dezembro de 1969, não em
qualquer momento, mas em plena ditadura na América Latina. Em 1973 fez a profissão
perpétua e foi designado provincial, o responsável nacional pelos Jesuítas, fez
de tudo, professor, reitor e pároco. Viajou para a Alemanha para fazer doutorado
e depois retornou a Argentina como diretor espiritual e confessor.
O período em que exerceu o cargo provincial (1973-1979) foi
tenso, a Argentina estava mergulha em uma ditadura sangrenta e não sabemos o
que se passava pela cabeça de cada cidadão, ou como cada pessoa iria reagir a
repressão. Bergoglio parece ter optado por uma linha que não conduzisse ao
enfrentamento com o aparelho repressor, preservando desse modo, os que estavam
sob sua responsabilidade. Diferente foi a atitude de outros religiosos, na
Argentina e em toda América Latina, no Brasil, por exemplo, freis, freiras,
padres, bispos e leigos, reagiram na forma de enfrentamento ao regime com
protestos, denúncias e solidariedade as vítimas, muitos perderam a vida e
outros experimentaram a tortura e a prisão. E por que Bergoglio não seguiu esta
direção? Podemos especular?
Primeiro, pensemos, Bergoglio era Padre recém ordenado e
tinha apenas 36 anos quando assumiu a função de provincial, não sabemos qual
era a leitura que fazia da realidade, se a compreendia profundamente. Segundo,
Bergoglio pode ter recebido orientações conservadoras dentro da própria ordem
para evitar problemas com o governo. Terceiro, a Igreja de Roma sempre se
preocupou com a obediência e a reflexão teológica dos Jesuítas, ou seja, estava
sob profunda vigilância.
O clima inaugurado pelo grande concílio vaticano II, levou o
progressista Padre Pedro Arrupe a ser eleito em 1965 como superior geral da
Companhia de Jesus, jornais do mundo inteiro reagiram ao fato. De que forma? Vejamos:
Jornal The New Yorque Times: “Arrupe é considerado um liberal e se pode
compará-lo com o falecido Papa João XXIII”. (Wikipédia).
O texto não era elogio, visava denegrir, liberal aqui não se refere ao
campo econômico, mas a posições de moral e vida social, simboliza anti-igreja, perda
de valores, despreparado, as potências ficaram extremamentes preocupadas com a
ousadia de João XXIII e Arrupe.
O Papa João XXIII e Paulo VI reconheceram imensamente a
contribuição intelectual da ordem religiosa, principalmente no desenvolvimento
do Concílio Vaticano II, mas observem, o Jornal do Brasil, tentou colocar em posição oposta Paulo VI e os
Jesuítas após uma recomendação feita pelo Papa:
O Papa Paulo VI
alertou ontem os Jesuítas sobre os princípios de obediência e fidelidade ao
Chefe da Igreja num enérgico discurso sobre o Superior Geral da Ordem, Padre
Arrupe e 237 delegados da Companhia de Jesus reunidos na 32ª Congregação Geral.
Disse que a obediência não constitui obstáculo a liberdade da pessoa. Advertiu
os representantes de 30 mil Jesuítas de 80 países que “a vontade de servir aos
homens pode degenerar e se transformar em relativismo, assimilação de um mundo
que desejamos salvar, e em secularismo, a fusão com o profano”. E denunciou o
desejo de mudanças, “a tentação característica de nosso tempo” - Jornal do Brasil 4 de Dezembro de 1974.
Paulo VI apoiava Arrupe, mas fez recomendações acerca da
obediência e os cuidados com a reflexão acerca do relativismo e do mundo
moderno, era preocupação natural, basta considerar o peso que os Jesuítas
representavam para se ter uma noção dos perigos de uma linha inadequada, trata-se
de um pedido e não uma advertência como interpretou o jornal. O alerta é
resultado evidente da pressão das potências e da ala conservadora da cúria
sobre o Sumo Pontífice, importante não esquecermos disso, uma vez que essa
influência poderosa irá refletir-se sobre Bergoglio e os Jesuítas, levantará
suspeitas sobre a morte de João Paulo I e, lançará posteriormente Karol Wotyla
(João Paulo II) como principal candidato ao papado, colocando-o nos braços da
Opus Dei.
Citemos um pouco o Padre Arrupe e a preocupação da Cúria e
das potências em relação a esse sacerdote que se tornara superior da Companhia
de Jesus. Assim como o fundador da
Companhia de Jesus, Padre Inácio de Loyola, o Padre Pedro Arrupe era espanhol.
Antes de ingressar na ordem dos Jesuítas, Pedro Arrupe foi
estudante de medicina e prestou serviços comunitários em apoio aos vicentinos,
lá despertou sua vocação, impressionante o que diz; “Não sei porque motivação, mas junto aos pobres descobri um mundo
novo”. (Pedro Arrupe – Um Jesuíta Universal – Quirino Weber)
“Não é a atômica a mais terrível das energias,
há outras mais terríveis. A desintegração atômica não seria de causar medo se
não estivesse a serviço de uma humanidade desintegrada pelo ódio”. (Arrupe
P. – Ante um mundo em câmbio)
E mais:
"Deus,
a quem sentia tão perto de mim, (…), irresistivelmente me atraiu a si. E o descobri tão perto dos que sofrem, dos que
choram, dos que naufragam, nesta vida de exclusão, que se acendeu em mim o
ardente desejo de imitá-lo nesta voluntária proximidade dos desamparados do
mundo, pessoas que a sociedade despreza, porque nem sequer suspeita que há uma
alma vibrando debaixo de tanta dor". (Lamet,
Pedro Miguel sj, "Arrupe, una
explosión en la Iglesia", p. 59)
Qual era a visão de Bergoglio em relação ao novo superior
geral da ordem? Manteve-se conservador, ligado a realidade anterior ao Vaticano
II, mas tudo tem sua razão de ser, a pressão da cúria conservadora e de membros
da própria ordem. Certa vez, um Padre chamado Mendizábal conduziria um grupo de
sacerdotes na Espanha a forçar Paulo VI a aceitar a cisão da ordem, visava
assim, criar uma nova congregação espanhola, o Papa rejeitou a ideia. Não convencido,
Mendizábal investiu na criação do movimento Fraternidade Sacerdotal, onde
muitos Bispos foram atraídos, o que gerou uma situação delicada na Igreja.
Não se sabe ao certo se Bergoglio apoiava Mendizábal, novo e
confuso, sua postura demonstrava ser mais próximo a este do que do progressista
Padre Pedro Arrupe, talvez tenha sido essa a razão principal pelo qual não se
aproximou da teologia da libertação em pleno desenvolvimento na América Latina.
Isso não significa em hipótese alguma que Bergoglio tinha simpatia pelo regime
ditatorial. O teólogo Jesuíta Jon Sobrino, muito perseguido afirmou, “Não parece justo falar que Bergoglio tinha
cumplicidade com o regime, mas parece correto dizer que naquelas circunstâncias
ele teve um afastamento da Igreja popular”.
No período em que foi superior da ordem na Argentina houve
também um fato lamentável que reforçou as críticas a Bergoglio por determinados
setores da sociedade, dois Padres Jesuítas, Franz Jalics e Orlando Yorio foram
sequestrados pela ditadura enquanto faziam missão nas favelas, ambos, adeptos
da teologia da libertação. A esquerda radical logo acusaria Bergoglio de
entregar os Padres ao regime, o que ele sempre negou. Orlando Yorio faleceu em
2000, certa vez, o teólogo brasileiro Leonardo Boff esteve com ele, o qual lhe
afirmara que Bergoglio não tinha relação com a sua prisão e tortura. Frans
Jalics reside hoje na Alemanha, esteve em viagem a Buenos Aires visitando
Bergoglio, tem amizade normal com o Cardeal. Jalics chegou a esclarecer no site
dos Jesuítas na Alemanha que durante o interrogatório na prisão, percebeu que a
investigação do serviço secreto argentino o tinha como espião da Rússia por ter
nascido em Bucareste na Hungria.
Um grupo de Jesuítas defendia o regime, outro o enfrentava
de forma enérgica, um terceiro ajudava vitimas em silêncio, talvez sem saber o
que fazer, parece ser esse o grupo de Bergoglio.
Mesmo que Bergoglio tenha falhado em algo, foi perdoado, aos
Cristãos é o que mais importa, sabemos que o papel que desempenhava na época
não era tão simples, dirigir uma ordem tradicional, histórica, não é para
qualquer um, e ainda mais em um momento delicado.
A acusação feita a Bergoglio durante e depois do conclave
que o elegeu acusando de ter contribuído com a ditadura não é mais um discurso
da esquerda radical como naquele tempo, mas da extrema direita que via o nome
dos seus candidatos preferidos evaporar.
O ataque a Bergoglio tinha lá sua razão, pois no conclave
anterior ficou em segundo lugar na votação e optou por abrir mão e permitir a
vitória do Cardeal Ratzinger. A propaganda disfarçada da mídia internacional tentou
alavancar nesse último conclave o arcebispo de Milão Angelo Scola, já que o
secretário do vaticano Tarcisio Bertone estava muito desgastado, uma outra
alternativa da cúria seria o arcebispo de São Paulo Odilo Sherer, ou mesmo o canadense
Marc Ouellet.
Se o Cardeal Bergoglio era considerado conservador, então
por que preocupava tanto a Cúria Romana?
É o contato com a realidade que nos transforma, não é a
teoria, essa vem posteriormente, os pés no chão guiam a nossa mente e a nossa
consciência e o contato com o povo simples e a pobreza o transformou, sua linha
se afastou de Mendizábal e se aproximou de Arrupe. Migra então, de Jesuíta
conservador a arcebispo progressista. Os que o conduziram até lá podem ter se
arrependido, mas agora é tarde e Bergoglio joga em outro time.
Qual time? O da Teologia da Libertação que renegara no
passado? Não! O time do evangelho, ao seu modo, na equipe dos marginalizados e
excluídos dessa terra, o que talvez não tenha feito como provincial Jesuíta, o
fez como Bispo, façamos um breve histórico.
O sacerdote Jorge Mário Bergoglio foi ordenado bispo de Auca
em 1992 pelas mãos de Joao Paulo II, e ao mesmo tempo auxiliar de Buenos Aires.
Poucos anos depois, 1998, tornara-se Arcebispo de Buenos Aires. Com uma postura
conservadora e afastado da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de
base (Cebs), tornou-se candidato agradável ao chefe de Roma e a Cúria, mas para
Papa nunca, pois existiam outros nomes fortes de Cardeais e para piorar ele é
Latino.
Normalmente os homens quando assumem cargos importantes,
retroagem, recuam do estado progressista a conservador, ao menos por um breve
tempo, preservar a instituição é a prioridade do sensato, danoso mesmo, são os
reacionários a eternos, e outros que por pura vaidade se tornam autoritários
assim que chegam ao trono.
Com Bergoglio as coisas foram inversas, não que tenha
aderido a algum movimento revolucionário, e nem a teologia da libertação, mas fez
uma revolução pessoal, tão ou mais importante, me refiro a questão prática, cotidiana,
não teórica, assumiu o evangelho na essência, tornou-se um arcebispo amigo e
servidor dos pobres. Desceu as profundezas da humildade, se fez servo. Se a
vida é uma caixinha de surpresas a ponto de tornar um simples homem em um Ser
arrogante devido ao poder, o Espírito Santo é capaz de fazer o caminho inverso
com muito sucesso, transformar todo poder em serviço.
Uma arquidiocese importantíssima, Buenos Aires, cujo pastor
supremo não se deixou atrair por prestígio, riqueza e poder, pelo contrário,
viveu em meio aos pobres, mendigos, favelas, um Cardeal de vestes simples que
anda a pé, de ônibus e trem.
Devemos fazer uma análise silenciosa, na mente e não na
boca, pensar e não falar: Teria Bergoglio chegado a Arcebispo de Buenos Aires e
Papa se o seu passado não tivesse sido conservador em determinados aspectos? Provavelmente
não. O clero argentino e a cúria romana, jamais o conduziriam a Bispo, se o papado
de João Paulo II estava difícil a qualquer progressista, imagine a um Jesuíta Latino.
Por que? Vamos entender um pouco o contexto que levou Karol
Wojtyla ao papado a fim de compreendermos a situação. O Conclave que o elegeu
era formado por grande parte de ultraconservadores da Igreja, estes traçavam
uma ruptura ao projeto de João XXIII e Paulo VI em sintonia com o desejo das
potências capitalistas que acompanhavam atentamente os passos da instituição
desde o concílio Vaticano II, as conferências episcopais de Medellín, Puebla e
Santo Domingo na América Latina.
João Paulo II, cardeal polonês Karol Wojtyla, não
representava muito peso político diante de outros candidatos ao papado, embora
tivesse uma trajetória reconhecidamente brilhante de vida sacerdotal e
episcopal, sem contar a sua grande capacidade intelectual.
O mundo pedia calma, moderação, era o período delicado da
guerra fria, potências ocidentais pressionavam o vaticano para se afastar do
diálogo com o comunismo, tido como totalitário, perseguidor dos cristãos e
ateu, realidade concebida por grande parte dos cardeais. Em outra vertente,
menor, estava o rosto de uma Igreja pobre, cujos fiéis eram vítimas de um
capitalismo selvagem, de modo particular nas ditaduras da África e América
Latina.
Os fiéis, teólogos e parte do clero latino estavam alinhados
na busca de um projeto alternativo que proporcionasse algum tipo de igualdade
social. Buscava-se dar ao homem as condições mínimas de dignidade conforme
exigia a consciência evangélica, a teoria do desenvolvimento poderia ser uma
alternativa.
A teoria do desenvolvimento tão exaltada nos meios
acadêmicos, políticos e econômicos da Europa, era refletida de modo mais
equilibrado e humano nas encíclicas papais e na social democracia daquele
continente, porém, as Igrejas dos países pobres não a absorveram de modo pleno,
pois contrastava muito com a sua realidade diária. Por aqui, nem mesmo os
momentos de grande crescimento econômico foram capazes de reduzir as
desigualdades, o bolo nunca foi repartido como prometeram os governantes, e o
desenvolvimento era financiado por forte endividamento externo. Estava claro
que o sistema financeiro internacional representava uma “gangorra”, para um país
subir, outro precisava descer.
Em meio a grandes intelectuais da América Latina, políticos,
sindicalistas, comunistas, nacionalistas, religiosos e outros, surgiu a justificativa
político-econômica esperada, era a chamada teoria da dependência. A teoria da
dependência afirmava que a riqueza de algumas nações capitalistas (centrais)
era a razão da pobreza de outros (periféricos), desse modo, as dificuldades
sociais nunca seriam superadas e o desenvolvimento não aconteceria na prática.
Significava, então, que as etapas da teoria do desenvolvimento (etapismo) teria
que ser substituída por mecanismos de ruptura político-econômica internacional.
Essa questão foi refletida também no mundo eclesial, pois a
Igreja é uma instituição que atua no mundo e não fora dele, portanto, a
teologia da libertação não foi obra do acaso ou da loucura, mas da própria
realidade a luz do evangelho.
Sendo assim, após a morte do grande Paulo VI campos bem
distintos disputavam o conclave de 1978, os dois grupos tinham como candidatos
principais, o ultraconservador Giuseppe Siri, arcebispo de Gênova e o moderado
Giovanni Benelli, arcebispo de Florença. O campo conservador temia o avanço do
comunismo e os efeitos do Concilio Vaticano II, o moderado buscava o diálogo e
o entendimento com o mundo, independente dos aspectos ideológicos e da vida
secular. Os dois cardeais se atritam, o que causa desgaste, ensina a história
que o melhor sempre é procurar alguém que represente o projeto do grupo ao
invés de polarizar entre nomes, principalmente quando uma votação exige 2/3 dos
votos.
Ao final, houve vitória do campo moderado, o Cardeal de
Florença emplacou Albino Luciani, Patriarca de Veneza, que eleito tornara-se João
Paulo I, o nome tinha significado importante, era a composição dos nomes de
João XXIII e Paulo VI numa clara sinalização de continuidade, as propostas do
Concílio estavam salvas. Muito humilde, rejeitou a coroação formal, mas, por
motivos não bem explicados o Papa Sorriso, como era conhecido, faleceu 33 dias
após assumir o papado e um novo conclave foi convocado.
Os dois Cardeais (Siri e Benelli) voltam ao enfrentamento, o
conflito teria que abrir uma terceira alternativa novamente, diante do impasse
o Cardeal de Viena Franz Koning pediu a apreciação do nome do Cardeal polonês e
arcebispo de Cracóvia, Karol Wotyla. Parece, não sei bem ao certo, que o
brasileiro Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza e também competitivo,
decidiu aceitar o acordo em conjunto com os Cardeais da América Latina, uma vez
que esses, não reuniam votos suficientes para a vitória.
Com o novo Papa de consenso eleito, as potências capitalistas
puderam respirar devido a péssima experiência do Cardeal Wojtyla sob o regime comunista
polonês quando Bispo de Cracóvia.
João Paulo II faria a substituição de cardeais com a
finalidade de ajustar a Igreja a uma nova proposta, alcançou grandes feitos,
aproximou povos e religiões, mas não tocou na estrutura eclesial vindo a
estancar os avanços do concílio Vaticano II e das conferências episcopais
latino-americanas. Travou uma luta contra as concepções comunistas e foi duro
com o socialismo real que limitava em muito o acesso aos bens e que imprimia
certa restrição a liberdade. Por outro lado, reconheceu e condenou nas suas
encíclicas os males do capitalismo neoliberal, fonte incessante de exclusão e
pobreza.
Nota-se que as grandes potências, sobretudo os EUA
(hegemônico pós queda do leste europeu e da URSS) cobravam uma posição do vaticano
em relação ao comportamento das comunidades eclesiais de base na América Latina
(Cebs), e sobre a postura de alguns teólogos, inclusive europeus.
As ditaduras na América Latina estavam alinhadas a esse
objetivo, e a grave situação levou Roma a perseguir e punir muitos teólogos ao
longo dos anos, o brasileiro Leonardo Boff, há muito vigiado, foi punido ao
editar o livro Igreja, Carisma e Poder. A congregação para doutrina da fé,
(santo oficio, ou antigo tribunal da inquisição) comandado na época pelo Cardeal
Ratzinger fez Leonardo Boff sentar na cadeira de Galileu para dar explicações
de sua obra, por fim, foi condenado ao silêncio obsequioso.
O ambiente da teologia tornava-se muito perigoso, Jon
Sobrino, teólogo jesuíta salvadorenho, escapou de um ataque em 1989 que tirou a
vida de seus três colegas da Companhia de Jesus. Sobrino tinha viajado para a
Tailândia para fazer uma palestra a pedido de Boff. Tempos depois, Dom Helder
seria chamado a Roma para dar explicações sobre sua conduta e Dom Paulo Evaristo
teria sua arquidiocese dividida em quatro com a finalidade de reduzir sua
influência, e muitos outros membros do clero sofreriam uma perseguição
disfarçada.
Com tamanha repressão de dentro e fora da Igreja, abria-se o
caminho para uma religião excessivamente espiritualizada, alienada, que não
questionasse as estruturas de poder, carismática na essência e de forte eixo
disciplinar e moral, uma fé que disputaria espaço com o movimento (neo)
pentecostal em ascendência, cujo maior financiamento vinha do próprio Estados
Unidos.
Instalava-se no mundo um fundamentalismo religioso
evangélico que isolaria não só as Cebs, mas também congregações católicas tradicionais,
Luteranos e Metodistas, segmentos protestantes bem avançados na teologia e na
questão social. Nem os Franciscanos escaparam, perderam expressão, já o Opus Dei
seria elevado, e junto com ele o Movimento Focolares, neocatecumenais e
Comunhão e Libertação de Angelo Scola.
Um das principais congregações levadas ao isolamento foi a
dos Jesuítas por causa da nova linha moderada e progressista inaugurada por
Arrupe, e provavelmente, a cúria tenha enxergado na época (da ditadura) que o
conservadorismo de Bergóglio seria uma forma de contrapor o pensamento da
própria ordem religiosa, assim, ele ascendeu na estrutura.
E o Cardeal Ratzinger?
Com a morte de João Paulo II, os setores conservadores e
moderados voltariam a se enfrentar no conclave, mas dessa vez e por nossa grande
surpresa Bergoglio se tornaria a principal alternativa progressista, e os
conservadores, que o elevaram, tentariam se livrar dele.
Mas antes, precisamos abordar uma questão, algo ainda
precisa ser explicado. Como um dos maiores filósofos e teólogos da história,
alicerce do Vaticano II, Cardeal Ratzinger, tenha retroagido e se tornado braço
direito de João Paulo II na resistência as Cebs e a teologia da libertação? Que
motivo, ou forças ocultas mudaram a sua trajetória de pensamento? Certamente, tal
retrocesso o colocou como sucessor natural de João Paulo II.
Não encontrei uma resposta a essas questões, o Papa emérito
deverá levar esse segredo para eternidade. De qualquer forma, o mais
importante, é que podemos constatar que a excessiva centralidade religiosa e
espiritual desde João Paulo II, bem como a disciplina moral-doutrinal deslocada
do mundo moderno, refletiu sobre a organização eclesial. Como resultado,
perdeu-se fiéis, pois ao contrário do que se pensa, não basta simplesmente
criar uma visão perfeita de santidade, é preciso o diálogo com o mundo. Tal
centralidade exagerada, intensificada por Bento XVI, não permitiu uma
autocrítica e fiscalização mais eficiente na instituição, o que facilitou o
surgimento de escândalos, inclusive pedofilia, e corrupção.
Excesso de controle e vigilância doutrinária leva a ruína, mesmo
com a boa intenção de Bento XVI de proteger a Igreja. Sabemos que aquele que tem
o poder de vigiar, pode tudo condenar, utilizando inclusive, as “armas do céu”,
até o acesso a eucaristia é regulado, mas ao vigiado, seja este do clero ou fiel
leigo, nada pode sob pena de exclusão, excomunhão e vexame. O oportunismo
humano caminha facilmente entre estruturas que não podem ser questionadas, isso
serve para qualquer sociedade ou instituição, seja no capitalismo ou
socialismo. E quando se trata de poder espiritual, as coisas se complicam, pois
pode promover perseguição e preconceito ao invés de libertar, os exemplos de
maus pastores e os mecanismos de exploração do povo simples estão espalhados
pelo mundo, e tudo em nome de Deus.
Quando o Cardeal Ratinger, Bento XVI, assumiu o papado, o
colégio de cardeais era bem conservador, estava alinhado perfeitamente ao
mandato de João Paulo II, então, não se poderia esperar alguma mudança
significativa de trajetória nas estruturas da Igreja.
Bento XVI, devido ao grande conhecimento filosófico,
teológico e doutrinal, optou por travar um debate intenso com o mundo em
relação a temas de ordem moral, alimentou uma luta tenaz entre o absoluto e o
relativo, gastou muitas energias com essa pauta e não se deu conta das
limitações que isso impunha a própria instituição. Viu mais pecados fora do que
dentro, quando percebeu já não tinha forças físicas e políticas suficientes
para a mudança necessária. Seu próprio grupo de cardeais, muito conservador,
não iria lhe proporcionar tal mudança, estavam mergulhados no velho montanismo
medieval onde a disciplina é mais importante que a caridade, ao mesmo tempo, a
submissão econômica do banco do vaticano ao neoliberalismo o levaria a
escândalos.
A crise europeia e do vaticano não estão separadas, claro
que a Igreja, apesar dos erros, também foi vítima do sistema financeiro
internacional, mas o viver nas nuvens abriu o caminho das raposas.
Bom lembrar as palavras de João XXIII,
apelidado de papa bom: “ Abbiamo visto
che nel campo del Signore c´è sempre anche la zizzania. E che nella rete di
Pietro si trovano anche pesci cattivi” – “Sabemos que no campo do Senhor existe
também a cizânia. E que na rede de Pedro encontram-se também peixes maus”.
Com a fala de João XXIII, imaginamos o que deve ter passado
na cabeça de Bento XVI quando quis se ver livre desses problemas, mas a palavra
renúncia praticamente não existe no vocabulário dos Papas, é visto como atitude
covarde, um descer da cruz. A última vez que um Papa se atreveu a isso foi 1415
com a renúncia de Gregório XII, na história temos casos de pressão política
interna e externa, bem como por problemas de saúde. A escolha feita por Bento
XVI representa um ato de coragem e humildade, e não de covardia, pois o fez
pelo bem da Igreja, desejou abrir os caminhos aceitando que não tinha condições
de fazê-lo sozinho, foi um ato de amor. Ratzinger e Bergoglio estão entendendo
os sinais dos tempos apontados por João XXIII e pelo concílio vaticano II, uma
porta que nunca deveria ter se fechado.
De Ratzinger a Bergoglio...
Importante lembrar o conclave de 2005 para entendermos
melhor como o nome de Bergoglio se projetou pelo tempo e espaço, seu jeito
simples de viver e seu carisma contagiou muitos cardeais.
O cardeal Mario Jorge Bergoglio, atual Papa Francisco,
disputou o conclave com Joseph Ratzinger em 2005 na sucessão a João Paulo II, a
vitória do alemão só foi possível pela desistência de sua candidatura.
Ratzinger era favorito e iniciou a votação com 47 votos, Bergoglio tinha 10, o
novo pontífice precisaria atingir 2/3 (74 votos), para isso, os votos restantes
não poderiam ultrapassar 1/3 (37 votos), se ocorre, inviabilizaria o primeiro
lugar. Na segunda votação os votos de Ratzinger sobem para 65, mas Bergoglio
sobe a 35. Na terceira votação Ratzinger atinge 72, porém, Bergoglio vai a 40 ultrapassando
1/3 e inviabilizando a candidatura do primeiro. Consciente do impasse, Bergoglio
pede aos seus eleitores que não votem nele a fim de resolver a questão, mesmo
assim, muitos insistiram e ele levou 26 votos, Ratzinger alcançou 84 votos e
ficou com o Papado.
O conclave de 2013.....
Difícil saber exatamente o que se passa realmente em cada
conclave, mas algumas informações não podem deixar de serem abordadas, ou até
especuladas por falta de provas.
Se Bergoglio ficou em segundo lugar no conclave anterior,
por que o seu nome não foi mencionado pela grande mídia como favorito? A
resposta é simples, Bergoglio agora jogava em outro time, assim, a mídia
procurou associá-lo a ditadura argentina a fim de desqualificá-lo como
candidato.
Resistências à parte, fato notório é que os cardeais
votantes evitaram conflitos abertos e desgastantes com membros do núcleo de
ferro da cúria, desse modo ficou fora do jogo o arcebispo de Milão Angelo Scola
e o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Sherer, bem como o secretário de estado
Tarciso Bertone, assim, Bergoglio poderia se tornar a preferência.
A articulação dos latinos soube aproveitar a situação de
racha e o descontentamento frente aos nomes dos cardeais europeus. Bertone
tinha consciência dessa articulação bem antes do conclave, chegou a acusar o
cardeal brasileiro, Dom Braz de Aviz, de vazar detalhes das deliberações em uma
reunião do pré-conclave, o cardeal brasileiro negou e jogou a batata quente no
colo da Cúria, fato que lhe rendeu aplausos. Dizem que Bertone apostava em
Sherer, mas o arcebispo de São Paulo não entrou no conclave como verdadeiro
candidato a disputa, ou seja, não incorporou, talvez porque tinha consciência
que era considerado homem da cúria. Os cardeais da África e Ásia, ao que se
sabe, já estavam determinados a votar em um candidato das Américas, pois suas
chances eram menores.
O Papa eleito (Francisco) testemunhou posteriormente que era
apoiado pelo arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Dom Claúdio Hummes, este o
consolava na aflição e incentivava. Não sei o número certo dos votos nos
escrutínios, mas é fato conhecido que os votos de Scola, Sherer e Ouellet,
foram migrando para Bergoglio e na quinta votação o mesmo atingiu 90 votos.
A candidatura de Bergoglio ganhou força a partir de sua
atuação na 5ª Conferência
episcopal em Aparecida do Norte (2007) e no Sínodo dos Bispos em Roma no ano
passado. Embora tenha chego a Roma de forma mansa na semana do conclave, sem
qualquer favoritismo, fala-se que o Cardeal aumentou o número de adeptos ao
pregar “acerca do rosto e da misericórdia
de Deus” aos demais cardeais alguns dias antes do inicio do conclave.
Revelou também, o novo Papa, que o Cardeal Hummes o abraçou
e o beijou dizendo, “lembre-se dos pobres”,
a expressão teve forte impacto e o levou a escolher o nome Francisco, o Santo
de Assis.
O que significa sua eleição? Que a Igreja espiritualizou-se
demais com Joao Paulo II e que se tornou um peso doutrinário excessivo com
Bento XVI. A espiritualização excessiva conduziu ao isolamento da Igreja, afastou
cada vez mais a frágil humanidade pecadora da infalibilidade inquestionável do
Clero. Não era mais a Igreja da participação e divisão dos dons evangélicos que
foram reconhecidos aos leigos no vaticano II, era a excessiva centralidade sacramental
e sacerdotal, os leigos ficaram sem protagonismo, seres passivos na estrutura
paroquial. Além disso, a Igreja olhou para o futuro com medo e se agarrou ao
passado.
A Igreja equivocou-se ao entender que as famílias só podiam
ser salvas pela doutrina, pela obediência, por uma centralidade paroquial e uma
espécie de fanatismo religioso que carrega a própria verdade em si, esta
embutida em um pacote do show da prosperidade e da cura. Passou a competir espaço
com os neopentecostais, a razão e a ciência foram abolidas do seio religioso,
debates e reflexões foram praticamente suprimidos e uma alienação fanática
impediu qualquer espécie de questionamento.
Deixou de ser a Igreja do livre pensamento, do diálogo, se
fechou demais, condenou a tudo e a todos, proibiu qualquer forma de
anticoncepcional para controle de natalidade, até mesmo o preservativo como
forma de prevenir doenças. Exibiu ainda, um preconceito acentuado e silencioso
nas tarefas eclesiais dos casais de segunda união ou de pessoas divorciadas,
não fosse o bom senso e acolhimento de alguns Padres e Bispos, o prejuízo da
Igreja seria muito maior.
Não
buscou nenhuma forma de reconhecimento na hierarquia às mulheres e ainda
não sabe o que fazer para lidar com o homossexualismo. Uma Igreja central que condenou
o mundo fora, mas que ficou cega diante da podridão interna, escanda-los de corrupção
no banco do vaticano e casos de abusos sexuais.
São muitos os desafios que o novo Pontífice tem pela frente,
mas ele caminha bem, nas questões de família ainda é muito conservador, tem
dificuldades históricas em dialogar com a sociedade moderna, mas Francisco é
paciente e agradável, e reconhecidamente avançado nas questões pastorais, tão
necessárias ao futuro da Igreja e também aos aspectos de ordem ética e social.
E quanto a Família Kirchner?
Não se trata de desafeto pessoal do Papa, a Igreja sempre
conflitou com governos desde a sua origem, nem sempre caminharam juntos. Os
interesses do estado por vezes conflitam com a visão da Igreja, no caso dos
Kirchners, Bergoglio deu foi um puxão de orelha no governo em relação a pobreza
crescente na Argentina. O arcebispo (na época) definiu como sendo uma vergonha
um país cristão com tantas desigualdades:
“Vivemos na região
mais desigual do mundo, a que mais cresceu e a que menos reduziu a miséria. A distribuição injusta de bens persiste,
criando uma situação de pecado social que grita aos céus e limita as
possibilidades de vida mais plena para muitos de nossos irmãos” (2007).
Boa Sorte ao seu Papado e que Deus Trindade o ilumine para
que a barca de Pedro possa avançar e corresponder as necessidades do seu
rebanho.