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O PAPA FRANCISCO E O ARCEBISPO BERGOGLIO, UMA AJUDA PARA COMPRENDÊ-LO

Postado por Bernardino Brito domingo, 6 de outubro de 2013 0 comentários






Por Bernardino Jesus Brito



É inútil tentar compreender o pensamento do atual Papa Francisco sem buscar entender minimamente o papel que os Jesuítas desempenharam na história, a ordem religiosa é, portanto, o ponto de partida da análise, e não a pessoa Bergoglio.

Somos produtos de uma determinada trajetória, em parte escolhida por nós, e de outra forma imposta pelas condições da natureza e principalmente pela história. Nascemos em um determinado local, com uma determinada família, cultura, religião, valores e tudo mais, não são nossas escolhas, são processos naturais, e nesse contexto real, passado e presente, vamos moldando nossa personalidade do futuro. Sendo assim, não há Ser humano que não mude de pensamento e ação ao longo da vida, a relação, homem, natureza e sociedade, é dinâmica, dialética, e detê-la seria impossível de nossa parte, tanto quanto pretender parar o movimento dos astros pelo espaço.

Do mesmo modo como o universo expande e se contrai, o homem progride e retrai, e em todos os campos, da ciência a religião, então, representa grave erro tentar impor o passado ao presente, bem como pensar que o homem está destinado somente a progressão de forma linear e infinita, não, pois a roda da história também gira para trás, para o bem e para o mal.

Essa reflexão anterior visa tirar o peso excessivo sobre a pessoa de Bergoglio, tão injustamente incompreendido sob alguns aspectos, assim, podemos enxergá-lo como um ser comum, sujeito a acertos e erros, próprio dos humanos. Devemos também considerar que vivemos em uma sociedade que sente a necessidade do “julgar”, de encontrar responsáveis para isso ou aquilo, óbvio, que por natureza o homem tem sede de respostas, mas não pode almejá-la a qualquer custo. Nada pode ser tão demagógico e leviano, que um racionalismo que exalta a razão ignorando a realidade e a experiência acumulada pela sociedade em sua jornada terrestre, o Mestre já havia nos advertido, “Não Julgueis para que não sejais julgados (Mt 7,1)”.

Vamos começar fazendo uma avaliação, ao menos superficial, sobre a ordem dos Jesuítas e o seu papel desempenhado na história.

Quem foi o Fundador da Ordem Companhia de Jesus? Um espanhol chamado Inácio de Loyola, nasceu em 1491, e o que nos importa registrar nesse momento é que foi militar e que defendeu Pamplona da invasão francesa, saindo ao final,  gravemente ferido da batalha. Ao que sabemos a enfermidade o aproximou do Divino, sendo a vida e o testemunho dos Santos uma motivação especial, o que lhe ajudou a superar os sofrimentos, concedendo-lhe uma nova compreensão acerca do significado da vida. Adquiriu, no entanto, especial devoção a Virgem Maria, onde aos seus pés teria colocado a espada e o punhal para simbolizar a mudança de direção, porém, não renegou a disciplina militar, transportando-a para o novo desafio, comportamento que ajudaria a vida missionária dos Jesuítas.

Dedicou-se então a vida religiosa e aos estudos, obteve sucesso na tarefa, passou pela França, Jerusalém, Inglaterra, mas não sem problemas, chegou a ser tratado como herege, mas com muita coragem, prosseguiu os trabalhos, inclusive fazendo seguidores. Graças a enorme esforço, Inácio e seus colegas foram ordenados sacerdotes em 1537, um passo importante ao reconhecimento do grupo, pois apenas três anos após, 1540, o Papa Paulo III permitiria a criação da ordem e Inácio de Loyola seria escolhido para ser o superior da congregação. A Igreja tinha lá suas razões, uma vez que Espanha e Portugal estavam em grande expansão territorial, era o período das grandes navegações.

Como a Igreja iria alcançar e catequisar as novas colônias na África e América?

A Igreja aproveitaria as qualidades dos novos soldados de Cristo e sua disciplina, se beneficiaria das missões marítimas do governo, ao mesmo tempo em que segurava a reforma e a expansão protestante.

O governo por sua vez tinha grande interesse em doutrinar os novos povos, africanos e índios americanos, catequizá-los facilitaria o domínio dos territórios.  Não por acaso, a ordem cresceu rapidamente e os Jesuítas tornaram-se a maior ordem religiosa. Expandiu-se também para a Índia e a China. Claro que o evangelho por vezes contrasta com os interesses dos governos, nem sempre Igreja e estado caminharam juntos de forma suave como quer fazer crer alguns historiadores tendenciosos. No aspecto negativo a Igreja disputou poder, dinheiro e terras, no positivo combateu injustiças e abusos estatais, principalmente os relacionados a moral e a pobreza generalizada.

 

Os povos catequizados receberam a língua e a cultura europeia, tarefa nada fácil dos Jesuítas, mas, prevaleceu a grande capacidade intelectual destes sacerdotes e a férrea disciplina, infelizmente houve uma opressão paralela por parte dos estados a fim de acelerar a dominação.  O poder dos Jesuítas cresceu tanto que contrastou muitas vezes com a direção central da Igreja e com governos locais, tornaram-se na verdade, fortes e influentes gerando desconfiança.

Chegaram ao Brasil junto com a expedição de Tomé de Souza em 1549, e por nossa terra pisaram missionários de peso como, Padre José de Anchieta, Manoel de Nóbrega, Manoel de Paiva, Antônio Vieira e outros. Em 1760 a ordem foi expulsa do Brasil pelo Marquês de Pombal devido ao receio do governo português, também seriam expulsos posteriormente da Espanha e França. A desconfiança atingiu a própria Igreja em seu ponto máximo, vindo o Papa Clemente XIV a extinguir a ordem em 1773 através do documento Dominus ac Redemptor, tempos depois a Congregação voltou a legalidade com o Papa Pio VII em 1814. Aqui se encontra a razão pelo qual um determinado cardeal tenha sugerido ao novo Papa a adoção do título Clemente XV, sabiamente, Bergoglio fugiu do sentimento de vingança.

Coragem e capacidade intelectual são aspectos dignos de admiração na vida de todo Jesuíta, devemos acrescentar, a sensibilidade social e o trabalho pastoral como pedra angular da missão, sem o qual, o conhecimento sobre Jesus não alcançaria muitos lugares.

Essa é a herança histórica que moldou a formação intelectual de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, disciplina, estudos de filosofia, literatura, teologia, humanidades, e até química antes de entrar para o seminário. Bergoglio, foi ordenado sacerdote em 13 de Dezembro de 1969, não em qualquer momento, mas em plena ditadura na América Latina. Em 1973 fez a profissão perpétua e foi designado provincial, o responsável nacional pelos Jesuítas, fez de tudo, professor, reitor e pároco. Viajou para a Alemanha para fazer doutorado e depois retornou a Argentina como diretor espiritual e confessor.

O período em que exerceu o cargo provincial (1973-1979) foi tenso, a Argentina estava mergulha em uma ditadura sangrenta e não sabemos o que se passava pela cabeça de cada cidadão, ou como cada pessoa iria reagir a repressão. Bergoglio parece ter optado por uma linha que não conduzisse ao enfrentamento com o aparelho repressor, preservando desse modo, os que estavam sob sua responsabilidade. Diferente foi a atitude de outros religiosos, na Argentina e em toda América Latina, no Brasil, por exemplo, freis, freiras, padres, bispos e leigos, reagiram na forma de enfrentamento ao regime com protestos, denúncias e solidariedade as vítimas, muitos perderam a vida e outros experimentaram a tortura e a prisão. E por que Bergoglio não seguiu esta direção? Podemos especular?

Primeiro, pensemos, Bergoglio era Padre recém ordenado e tinha apenas 36 anos quando assumiu a função de provincial, não sabemos qual era a leitura que fazia da realidade, se a compreendia profundamente. Segundo, Bergoglio pode ter recebido orientações conservadoras dentro da própria ordem para evitar problemas com o governo. Terceiro, a Igreja de Roma sempre se preocupou com a obediência e a reflexão teológica dos Jesuítas, ou seja, estava sob profunda vigilância.  

O clima inaugurado pelo grande concílio vaticano II, levou o progressista Padre Pedro Arrupe a ser eleito em 1965 como superior geral da Companhia de Jesus, jornais do mundo inteiro reagiram ao fato. De que forma? Vejamos:

Jornal The New Yorque Times: “Arrupe é considerado um liberal e se pode compará-lo com o falecido Papa João XXIII”. (Wikipédia).

O texto não era elogio, visava denegrir, liberal aqui não se refere ao campo econômico, mas a posições de moral e vida social, simboliza anti-igreja, perda de valores, despreparado, as potências ficaram extremamentes preocupadas com a ousadia de João XXIII e Arrupe.

O Papa João XXIII e Paulo VI reconheceram imensamente a contribuição intelectual da ordem religiosa, principalmente no desenvolvimento do Concílio Vaticano II, mas observem, o Jornal do Brasil, tentou colocar em posição oposta Paulo VI e os Jesuítas após uma recomendação feita pelo Papa:

O Papa Paulo VI alertou ontem os Jesuítas sobre os princípios de obediência e fidelidade ao Chefe da Igreja num enérgico discurso sobre o Superior Geral da Ordem, Padre Arrupe e 237 delegados da Companhia de Jesus reunidos na 32ª Congregação Geral. Disse que a obediência não constitui obstáculo a liberdade da pessoa. Advertiu os representantes de 30 mil Jesuítas de 80 países que “a vontade de servir aos homens pode degenerar e se transformar em relativismo, assimilação de um mundo que desejamos salvar, e em secularismo, a fusão com o profano”. E denunciou o desejo de mudanças, “a tentação característica de nosso tempo” -  Jornal do Brasil 4 de Dezembro de 1974.

Paulo VI apoiava Arrupe, mas fez recomendações acerca da obediência e os cuidados com a reflexão acerca do relativismo e do mundo moderno, era preocupação natural, basta considerar o peso que os Jesuítas representavam para se ter uma noção dos perigos de uma linha inadequada, trata-se de um pedido e não uma advertência como interpretou o jornal. O alerta é resultado evidente da pressão das potências e da ala conservadora da cúria sobre o Sumo Pontífice, importante não esquecermos disso, uma vez que essa influência poderosa irá refletir-se sobre Bergoglio e os Jesuítas, levantará suspeitas sobre a morte de João Paulo I e, lançará posteriormente Karol Wotyla (João Paulo II) como principal candidato ao papado, colocando-o nos braços da Opus Dei.

Citemos um pouco o Padre Arrupe e a preocupação da Cúria e das potências em relação a esse sacerdote que se tornara superior da Companhia de Jesus.  Assim como o fundador da Companhia de Jesus, Padre Inácio de Loyola, o Padre Pedro Arrupe era espanhol.

Antes de ingressar na ordem dos Jesuítas, Pedro Arrupe foi estudante de medicina e prestou serviços comunitários em apoio aos vicentinos, lá despertou sua vocação, impressionante o que diz; “Não sei porque motivação, mas junto aos pobres descobri um mundo novo”. (Pedro Arrupe – Um Jesuíta Universal – Quirino Weber)

 “Não é a atômica a mais terrível das energias, há outras mais terríveis. A desintegração atômica não seria de causar medo se não estivesse a serviço de uma humanidade desintegrada pelo ódio”. (Arrupe P. – Ante um mundo em câmbio)

E mais:

"Deus, a quem sentia tão perto de mim, (…), irresistivelmente me atraiu a si. E o descobri tão perto dos que sofrem, dos que choram, dos que naufragam, nesta vida de exclusão, que se acendeu em mim o ardente desejo de imitá-lo nesta voluntária proximidade dos desamparados do mundo, pessoas que a sociedade despreza, porque nem sequer suspeita que há uma alma vibrando debaixo de tanta dor". (Lamet, Pedro Miguel sj, "Arrupe, una explosión en la Iglesia", p. 59)

Qual era a visão de Bergoglio em relação ao novo superior geral da ordem? Manteve-se conservador, ligado a realidade anterior ao Vaticano II, mas tudo tem sua razão de ser, a pressão da cúria conservadora e de membros da própria ordem. Certa vez, um Padre chamado Mendizábal conduziria um grupo de sacerdotes na Espanha a forçar Paulo VI a aceitar a cisão da ordem, visava assim, criar uma nova congregação espanhola, o Papa rejeitou a ideia. Não convencido, Mendizábal investiu na criação do movimento Fraternidade Sacerdotal, onde muitos Bispos foram atraídos, o que gerou uma situação delicada na Igreja.

Não se sabe ao certo se Bergoglio apoiava Mendizábal, novo e confuso, sua postura demonstrava ser mais próximo a este do que do progressista Padre Pedro Arrupe, talvez tenha sido essa a razão principal pelo qual não se aproximou da teologia da libertação em pleno desenvolvimento na América Latina. Isso não significa em hipótese alguma que Bergoglio tinha simpatia pelo regime ditatorial. O teólogo Jesuíta Jon Sobrino, muito perseguido afirmou, “Não parece justo falar que Bergoglio tinha cumplicidade com o regime, mas parece correto dizer que naquelas circunstâncias ele teve um afastamento da Igreja popular”.

No período em que foi superior da ordem na Argentina houve também um fato lamentável que reforçou as críticas a Bergoglio por determinados setores da sociedade, dois Padres Jesuítas, Franz Jalics e Orlando Yorio foram sequestrados pela ditadura enquanto faziam missão nas favelas, ambos, adeptos da teologia da libertação. A esquerda radical logo acusaria Bergoglio de entregar os Padres ao regime, o que ele sempre negou. Orlando Yorio faleceu em 2000, certa vez, o teólogo brasileiro Leonardo Boff esteve com ele, o qual lhe afirmara que Bergoglio não tinha relação com a sua prisão e tortura. Frans Jalics reside hoje na Alemanha, esteve em viagem a Buenos Aires visitando Bergoglio, tem amizade normal com o Cardeal. Jalics chegou a esclarecer no site dos Jesuítas na Alemanha que durante o interrogatório na prisão, percebeu que a investigação do serviço secreto argentino o tinha como espião da Rússia por ter nascido em Bucareste na Hungria.

Um grupo de Jesuítas defendia o regime, outro o enfrentava de forma enérgica, um terceiro ajudava vitimas em silêncio, talvez sem saber o que fazer, parece ser esse o grupo de Bergoglio.

Mesmo que Bergoglio tenha falhado em algo, foi perdoado, aos Cristãos é o que mais importa, sabemos que o papel que desempenhava na época não era tão simples, dirigir uma ordem tradicional, histórica, não é para qualquer um, e ainda mais em um momento delicado.

A acusação feita a Bergoglio durante e depois do conclave que o elegeu acusando de ter contribuído com a ditadura não é mais um discurso da esquerda radical como naquele tempo, mas da extrema direita que via o nome dos seus candidatos preferidos evaporar.

O ataque a Bergoglio tinha lá sua razão, pois no conclave anterior ficou em segundo lugar na votação e optou por abrir mão e permitir a vitória do Cardeal Ratzinger. A propaganda disfarçada da mídia internacional tentou alavancar nesse último conclave o arcebispo de Milão Angelo Scola, já que o secretário do vaticano Tarcisio Bertone estava muito desgastado, uma outra alternativa da cúria seria o arcebispo de São Paulo Odilo Sherer, ou mesmo o canadense Marc Ouellet.

Se o Cardeal Bergoglio era considerado conservador, então por que preocupava tanto a Cúria Romana?

É o contato com a realidade que nos transforma, não é a teoria, essa vem posteriormente, os pés no chão guiam a nossa mente e a nossa consciência e o contato com o povo simples e a pobreza o transformou, sua linha se afastou de Mendizábal e se aproximou de Arrupe. Migra então, de Jesuíta conservador a arcebispo progressista. Os que o conduziram até lá podem ter se arrependido, mas agora é tarde e Bergoglio joga em outro time.

Qual time? O da Teologia da Libertação que renegara no passado? Não! O time do evangelho, ao seu modo, na equipe dos marginalizados e excluídos dessa terra, o que talvez não tenha feito como provincial Jesuíta, o fez como Bispo, façamos um breve histórico.

O sacerdote Jorge Mário Bergoglio foi ordenado bispo de Auca em 1992 pelas mãos de Joao Paulo II, e ao mesmo tempo auxiliar de Buenos Aires. Poucos anos depois, 1998, tornara-se Arcebispo de Buenos Aires. Com uma postura conservadora e afastado da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base (Cebs), tornou-se candidato agradável ao chefe de Roma e a Cúria, mas para Papa nunca, pois existiam outros nomes fortes de Cardeais e para piorar ele é Latino.

Normalmente os homens quando assumem cargos importantes, retroagem, recuam do estado progressista a conservador, ao menos por um breve tempo, preservar a instituição é a prioridade do sensato, danoso mesmo, são os reacionários a eternos, e outros que por pura vaidade se tornam autoritários assim que chegam ao trono.

Com Bergoglio as coisas foram inversas, não que tenha aderido a algum movimento revolucionário, e nem a teologia da libertação, mas fez uma revolução pessoal, tão ou mais importante, me refiro a questão prática, cotidiana, não teórica, assumiu o evangelho na essência, tornou-se um arcebispo amigo e servidor dos pobres. Desceu as profundezas da humildade, se fez servo. Se a vida é uma caixinha de surpresas a ponto de tornar um simples homem em um Ser arrogante devido ao poder, o Espírito Santo é capaz de fazer o caminho inverso com muito sucesso, transformar todo poder em serviço.

Uma arquidiocese importantíssima, Buenos Aires, cujo pastor supremo não se deixou atrair por prestígio, riqueza e poder, pelo contrário, viveu em meio aos pobres, mendigos, favelas, um Cardeal de vestes simples que anda a pé, de ônibus e trem.

Devemos fazer uma análise silenciosa, na mente e não na boca, pensar e não falar: Teria Bergoglio chegado a Arcebispo de Buenos Aires e Papa se o seu passado não tivesse sido conservador em determinados aspectos? Provavelmente não. O clero argentino e a cúria romana, jamais o conduziriam a Bispo, se o papado de João Paulo II estava difícil a qualquer progressista, imagine a um Jesuíta Latino.

Por que? Vamos entender um pouco o contexto que levou Karol Wojtyla ao papado a fim de compreendermos a situação. O Conclave que o elegeu era formado por grande parte de ultraconservadores da Igreja, estes traçavam uma ruptura ao projeto de João XXIII e Paulo VI em sintonia com o desejo das potências capitalistas que acompanhavam atentamente os passos da instituição desde o concílio Vaticano II, as conferências episcopais de Medellín, Puebla e Santo Domingo na América Latina.

João Paulo II, cardeal polonês Karol Wojtyla, não representava muito peso político diante de outros candidatos ao papado, embora tivesse uma trajetória reconhecidamente brilhante de vida sacerdotal e episcopal, sem contar a sua grande capacidade intelectual.

O mundo pedia calma, moderação, era o período delicado da guerra fria, potências ocidentais pressionavam o vaticano para se afastar do diálogo com o comunismo, tido como totalitário, perseguidor dos cristãos e ateu, realidade concebida por grande parte dos cardeais. Em outra vertente, menor, estava o rosto de uma Igreja pobre, cujos fiéis eram vítimas de um capitalismo selvagem, de modo particular nas ditaduras da África e América Latina.

Os fiéis, teólogos e parte do clero latino estavam alinhados na busca de um projeto alternativo que proporcionasse algum tipo de igualdade social. Buscava-se dar ao homem as condições mínimas de dignidade conforme exigia a consciência evangélica, a teoria do desenvolvimento poderia ser uma alternativa.

A teoria do desenvolvimento tão exaltada nos meios acadêmicos, políticos e econômicos da Europa, era refletida de modo mais equilibrado e humano nas encíclicas papais e na social democracia daquele continente, porém, as Igrejas dos países pobres não a absorveram de modo pleno, pois contrastava muito com a sua realidade diária. Por aqui, nem mesmo os momentos de grande crescimento econômico foram capazes de reduzir as desigualdades, o bolo nunca foi repartido como prometeram os governantes, e o desenvolvimento era financiado por forte endividamento externo. Estava claro que o sistema financeiro internacional representava uma “gangorra”, para um país subir, outro precisava descer.

Em meio a grandes intelectuais da América Latina, políticos, sindicalistas, comunistas, nacionalistas, religiosos e outros, surgiu a justificativa político-econômica esperada, era a chamada teoria da dependência. A teoria da dependência afirmava que a riqueza de algumas nações capitalistas (centrais) era a razão da pobreza de outros (periféricos), desse modo, as dificuldades sociais nunca seriam superadas e o desenvolvimento não aconteceria na prática. Significava, então, que as etapas da teoria do desenvolvimento (etapismo) teria que ser substituída por mecanismos de ruptura político-econômica internacional.

Essa questão foi refletida também no mundo eclesial, pois a Igreja é uma instituição que atua no mundo e não fora dele, portanto, a teologia da libertação não foi obra do acaso ou da loucura, mas da própria realidade a luz do evangelho.

Sendo assim, após a morte do grande Paulo VI campos bem distintos disputavam o conclave de 1978, os dois grupos tinham como candidatos principais, o ultraconservador Giuseppe Siri, arcebispo de Gênova e o moderado Giovanni Benelli, arcebispo de Florença. O campo conservador temia o avanço do comunismo e os efeitos do Concilio Vaticano II, o moderado buscava o diálogo e o entendimento com o mundo, independente dos aspectos ideológicos e da vida secular. Os dois cardeais se atritam, o que causa desgaste, ensina a história que o melhor sempre é procurar alguém que represente o projeto do grupo ao invés de polarizar entre nomes, principalmente quando uma votação exige 2/3 dos votos.

Ao final, houve vitória do campo moderado, o Cardeal de Florença emplacou Albino Luciani, Patriarca de Veneza, que eleito tornara-se João Paulo I, o nome tinha significado importante, era a composição dos nomes de João XXIII e Paulo VI numa clara sinalização de continuidade, as propostas do Concílio estavam salvas. Muito humilde, rejeitou a coroação formal, mas, por motivos não bem explicados o Papa Sorriso, como era conhecido, faleceu 33 dias após assumir o papado e um novo conclave foi convocado.

Os dois Cardeais (Siri e Benelli) voltam ao enfrentamento, o conflito teria que abrir uma terceira alternativa novamente, diante do impasse o Cardeal de Viena Franz Koning pediu a apreciação do nome do Cardeal polonês e arcebispo de Cracóvia, Karol Wotyla. Parece, não sei bem ao certo, que o brasileiro Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza e também competitivo, decidiu aceitar o acordo em conjunto com os Cardeais da América Latina, uma vez que esses, não reuniam votos suficientes para a vitória.

Com o novo Papa de consenso eleito, as potências capitalistas puderam respirar devido a péssima experiência do Cardeal Wojtyla sob o regime comunista polonês quando Bispo de Cracóvia.

João Paulo II faria a substituição de cardeais com a finalidade de ajustar a Igreja a uma nova proposta, alcançou grandes feitos, aproximou povos e religiões, mas não tocou na estrutura eclesial vindo a estancar os avanços do concílio Vaticano II e das conferências episcopais latino-americanas. Travou uma luta contra as concepções comunistas e foi duro com o socialismo real que limitava em muito o acesso aos bens e que imprimia certa restrição a liberdade. Por outro lado, reconheceu e condenou nas suas encíclicas os males do capitalismo neoliberal, fonte incessante de exclusão e pobreza.

Nota-se que as grandes potências, sobretudo os EUA (hegemônico pós queda do leste europeu e da URSS) cobravam uma posição do vaticano em relação ao comportamento das comunidades eclesiais de base na América Latina (Cebs), e sobre a postura de alguns teólogos, inclusive europeus.

As ditaduras na América Latina estavam alinhadas a esse objetivo, e a grave situação levou Roma a perseguir e punir muitos teólogos ao longo dos anos, o brasileiro Leonardo Boff, há muito vigiado, foi punido ao editar o livro Igreja, Carisma e Poder. A congregação para doutrina da fé, (santo oficio, ou antigo tribunal da inquisição) comandado na época pelo Cardeal Ratzinger fez Leonardo Boff sentar na cadeira de Galileu para dar explicações de sua obra, por fim, foi condenado ao silêncio obsequioso.

O ambiente da teologia tornava-se muito perigoso, Jon Sobrino, teólogo jesuíta salvadorenho, escapou de um ataque em 1989 que tirou a vida de seus três colegas da Companhia de Jesus. Sobrino tinha viajado para a Tailândia para fazer uma palestra a pedido de Boff. Tempos depois, Dom Helder seria chamado a Roma para dar explicações sobre sua conduta e Dom Paulo Evaristo teria sua arquidiocese dividida em quatro com a finalidade de reduzir sua influência, e muitos outros membros do clero sofreriam uma perseguição disfarçada.

Com tamanha repressão de dentro e fora da Igreja, abria-se o caminho para uma religião excessivamente espiritualizada, alienada, que não questionasse as estruturas de poder, carismática na essência e de forte eixo disciplinar e moral, uma fé que disputaria espaço com o movimento (neo) pentecostal em ascendência, cujo maior financiamento vinha do próprio Estados Unidos.

Instalava-se no mundo um fundamentalismo religioso evangélico que isolaria não só as Cebs, mas também congregações católicas tradicionais, Luteranos e Metodistas, segmentos protestantes bem avançados na teologia e na questão social. Nem os Franciscanos escaparam, perderam expressão, já o Opus Dei seria elevado, e junto com ele o Movimento Focolares, neocatecumenais e Comunhão e Libertação de Angelo Scola.

Um das principais congregações levadas ao isolamento foi a dos Jesuítas por causa da nova linha moderada e progressista inaugurada por Arrupe, e provavelmente, a cúria tenha enxergado na época (da ditadura) que o conservadorismo de Bergóglio seria uma forma de contrapor o pensamento da própria ordem religiosa, assim, ele ascendeu na estrutura.  

E o Cardeal Ratzinger?

Com a morte de João Paulo II, os setores conservadores e moderados voltariam a se enfrentar no conclave, mas dessa vez e por nossa grande surpresa Bergoglio se tornaria a principal alternativa progressista, e os conservadores, que o elevaram, tentariam se livrar dele.

Mas antes, precisamos abordar uma questão, algo ainda precisa ser explicado. Como um dos maiores filósofos e teólogos da história, alicerce do Vaticano II, Cardeal Ratzinger, tenha retroagido e se tornado braço direito de João Paulo II na resistência as Cebs e a teologia da libertação? Que motivo, ou forças ocultas mudaram a sua trajetória de pensamento? Certamente, tal retrocesso o colocou como sucessor natural de João Paulo II.

Não encontrei uma resposta a essas questões, o Papa emérito deverá levar esse segredo para eternidade. De qualquer forma, o mais importante, é que podemos constatar que a excessiva centralidade religiosa e espiritual desde João Paulo II, bem como a disciplina moral-doutrinal deslocada do mundo moderno, refletiu sobre a organização eclesial. Como resultado, perdeu-se fiéis, pois ao contrário do que se pensa, não basta simplesmente criar uma visão perfeita de santidade, é preciso o diálogo com o mundo. Tal centralidade exagerada, intensificada por Bento XVI, não permitiu uma autocrítica e fiscalização mais eficiente na instituição, o que facilitou o surgimento de escândalos, inclusive pedofilia, e corrupção.

Excesso de controle e vigilância doutrinária leva a ruína, mesmo com a boa intenção de Bento XVI de proteger a Igreja. Sabemos que aquele que tem o poder de vigiar, pode tudo condenar, utilizando inclusive, as “armas do céu”, até o acesso a eucaristia é regulado, mas ao vigiado, seja este do clero ou fiel leigo, nada pode sob pena de exclusão, excomunhão e vexame. O oportunismo humano caminha facilmente entre estruturas que não podem ser questionadas, isso serve para qualquer sociedade ou instituição, seja no capitalismo ou socialismo. E quando se trata de poder espiritual, as coisas se complicam, pois pode promover perseguição e preconceito ao invés de libertar, os exemplos de maus pastores e os mecanismos de exploração do povo simples estão espalhados pelo mundo, e tudo em nome de Deus.

Quando o Cardeal Ratinger, Bento XVI, assumiu o papado, o colégio de cardeais era bem conservador, estava alinhado perfeitamente ao mandato de João Paulo II, então, não se poderia esperar alguma mudança significativa de trajetória nas estruturas da Igreja.

Bento XVI, devido ao grande conhecimento filosófico, teológico e doutrinal, optou por travar um debate intenso com o mundo em relação a temas de ordem moral, alimentou uma luta tenaz entre o absoluto e o relativo, gastou muitas energias com essa pauta e não se deu conta das limitações que isso impunha a própria instituição. Viu mais pecados fora do que dentro, quando percebeu já não tinha forças físicas e políticas suficientes para a mudança necessária. Seu próprio grupo de cardeais, muito conservador, não iria lhe proporcionar tal mudança, estavam mergulhados no velho montanismo medieval onde a disciplina é mais importante que a caridade, ao mesmo tempo, a submissão econômica do banco do vaticano ao neoliberalismo o levaria a escândalos.

A crise europeia e do vaticano não estão separadas, claro que a Igreja, apesar dos erros, também foi vítima do sistema financeiro internacional, mas o viver nas nuvens abriu o caminho das raposas.

Bom lembrar as palavras de João XXIII, apelidado de papa bom: “ Abbiamo visto che nel campo del Signore c´è sempre anche la zizzania. E che nella rete di Pietro si trovano anche pesci cattivi” – “Sabemos que no campo do Senhor existe também a cizânia. E que na rede de Pedro encontram-se também peixes maus”.

Com a fala de João XXIII, imaginamos o que deve ter passado na cabeça de Bento XVI quando quis se ver livre desses problemas, mas a palavra renúncia praticamente não existe no vocabulário dos Papas, é visto como atitude covarde, um descer da cruz. A última vez que um Papa se atreveu a isso foi 1415 com a renúncia de Gregório XII, na história temos casos de pressão política interna e externa, bem como por problemas de saúde. A escolha feita por Bento XVI representa um ato de coragem e humildade, e não de covardia, pois o fez pelo bem da Igreja, desejou abrir os caminhos aceitando que não tinha condições de fazê-lo sozinho, foi um ato de amor. Ratzinger e Bergoglio estão entendendo os sinais dos tempos apontados por João XXIII e pelo concílio vaticano II, uma porta que nunca deveria ter se fechado.

De Ratzinger a Bergoglio...

Importante lembrar o conclave de 2005 para entendermos melhor como o nome de Bergoglio se projetou pelo tempo e espaço, seu jeito simples de viver e seu carisma contagiou muitos cardeais.

O cardeal Mario Jorge Bergoglio, atual Papa Francisco, disputou o conclave com Joseph Ratzinger em 2005 na sucessão a João Paulo II, a vitória do alemão só foi possível pela desistência de sua candidatura. Ratzinger era favorito e iniciou a votação com 47 votos, Bergoglio tinha 10, o novo pontífice precisaria atingir 2/3 (74 votos), para isso, os votos restantes não poderiam ultrapassar 1/3 (37 votos), se ocorre, inviabilizaria o primeiro lugar. Na segunda votação os votos de Ratzinger sobem para 65, mas Bergoglio sobe a 35. Na terceira votação Ratzinger atinge 72, porém, Bergoglio vai a 40 ultrapassando 1/3 e inviabilizando a candidatura do primeiro. Consciente do impasse, Bergoglio pede aos seus eleitores que não votem nele a fim de resolver a questão, mesmo assim, muitos insistiram e ele levou 26 votos, Ratzinger alcançou 84 votos e ficou com o Papado.

O conclave de 2013.....

Difícil saber exatamente o que se passa realmente em cada conclave, mas algumas informações não podem deixar de serem abordadas, ou até especuladas por falta de provas.

Se Bergoglio ficou em segundo lugar no conclave anterior, por que o seu nome não foi mencionado pela grande mídia como favorito? A resposta é simples, Bergoglio agora jogava em outro time, assim, a mídia procurou associá-lo a ditadura argentina a fim de desqualificá-lo como candidato.

Resistências à parte, fato notório é que os cardeais votantes evitaram conflitos abertos e desgastantes com membros do núcleo de ferro da cúria, desse modo ficou fora do jogo o arcebispo de Milão Angelo Scola e o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Sherer, bem como o secretário de estado Tarciso Bertone, assim, Bergoglio poderia se tornar a preferência.

A articulação dos latinos soube aproveitar a situação de racha e o descontentamento frente aos nomes dos cardeais europeus. Bertone tinha consciência dessa articulação bem antes do conclave, chegou a acusar o cardeal brasileiro, Dom Braz de Aviz, de vazar detalhes das deliberações em uma reunião do pré-conclave, o cardeal brasileiro negou e jogou a batata quente no colo da Cúria, fato que lhe rendeu aplausos. Dizem que Bertone apostava em Sherer, mas o arcebispo de São Paulo não entrou no conclave como verdadeiro candidato a disputa, ou seja, não incorporou, talvez porque tinha consciência que era considerado homem da cúria. Os cardeais da África e Ásia, ao que se sabe, já estavam determinados a votar em um candidato das Américas, pois suas chances eram menores.

O Papa eleito (Francisco) testemunhou posteriormente que era apoiado pelo arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Dom Claúdio Hummes, este o consolava na aflição e incentivava. Não sei o número certo dos votos nos escrutínios, mas é fato conhecido que os votos de Scola, Sherer e Ouellet, foram migrando para Bergoglio e na quinta votação o mesmo atingiu 90 votos.

A candidatura de Bergoglio ganhou força a partir de sua atuação na 5ª Conferência episcopal em Aparecida do Norte (2007) e no Sínodo dos Bispos em Roma no ano passado. Embora tenha chego a Roma de forma mansa na semana do conclave, sem qualquer favoritismo, fala-se que o Cardeal aumentou o número de adeptos ao pregar “acerca do rosto e da misericórdia de Deus” aos demais cardeais alguns dias antes do inicio do conclave.

Revelou também, o novo Papa, que o Cardeal Hummes o abraçou e o beijou dizendo, “lembre-se dos pobres”, a expressão teve forte impacto e o levou a escolher o nome Francisco, o Santo de Assis.

O que significa sua eleição? Que a Igreja espiritualizou-se demais com Joao Paulo II e que se tornou um peso doutrinário excessivo com Bento XVI. A espiritualização excessiva conduziu ao isolamento da Igreja, afastou cada vez mais a frágil humanidade pecadora da infalibilidade inquestionável do Clero. Não era mais a Igreja da participação e divisão dos dons evangélicos que foram reconhecidos aos leigos no vaticano II, era a excessiva centralidade sacramental e sacerdotal, os leigos ficaram sem protagonismo, seres passivos na estrutura paroquial. Além disso, a Igreja olhou para o futuro com medo e se agarrou ao passado.

A Igreja equivocou-se ao entender que as famílias só podiam ser salvas pela doutrina, pela obediência, por uma centralidade paroquial e uma espécie de fanatismo religioso que carrega a própria verdade em si, esta embutida em um pacote do show da prosperidade e da cura. Passou a competir espaço com os neopentecostais, a razão e a ciência foram abolidas do seio religioso, debates e reflexões foram praticamente suprimidos e uma alienação fanática impediu qualquer espécie de questionamento.

Deixou de ser a Igreja do livre pensamento, do diálogo, se fechou demais, condenou a tudo e a todos, proibiu qualquer forma de anticoncepcional para controle de natalidade, até mesmo o preservativo como forma de prevenir doenças. Exibiu ainda, um preconceito acentuado e silencioso nas tarefas eclesiais dos casais de segunda união ou de pessoas divorciadas, não fosse o bom senso e acolhimento de alguns Padres e Bispos, o prejuízo da Igreja seria muito maior.

Não buscou nenhuma forma de reconhecimento na hierarquia às mulheres e ainda não sabe o que fazer para lidar com o homossexualismo. Uma Igreja central que condenou o mundo fora, mas que ficou cega diante da podridão interna, escanda-los de corrupção no banco do vaticano e casos de abusos sexuais.

São muitos os desafios que o novo Pontífice tem pela frente, mas ele caminha bem, nas questões de família ainda é muito conservador, tem dificuldades históricas em dialogar com a sociedade moderna, mas Francisco é paciente e agradável, e reconhecidamente avançado nas questões pastorais, tão necessárias ao futuro da Igreja e também aos aspectos de ordem ética e social.

E quanto a Família Kirchner?

Não se trata de desafeto pessoal do Papa, a Igreja sempre conflitou com governos desde a sua origem, nem sempre caminharam juntos. Os interesses do estado por vezes conflitam com a visão da Igreja, no caso dos Kirchners, Bergoglio deu foi um puxão de orelha no governo em relação a pobreza crescente na Argentina. O arcebispo (na época) definiu como sendo uma vergonha um país cristão com tantas desigualdades:

“Vivemos na região mais desigual do mundo, a que mais cresceu e a que menos reduziu a miséria.    A distribuição injusta de bens persiste, criando uma situação de pecado social que grita aos céus e limita as possibilidades de vida mais plena para muitos de nossos irmãos” (2007).

Boa Sorte ao seu Papado e que Deus Trindade o ilumine para que a barca de Pedro possa avançar e corresponder as necessidades do seu rebanho.

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