Os artigos de
Amir Khair no Estadão salvam o desequilibrado e injusto editorial econômico do
mesmo jornal. Com prudência, Amir Khair se apresenta com conteúdo diferente daqueles
que são bem pagos por uma elite a fim de escrever contra o governo.
Se
democracia jornalística implica em independência política em relação a
governos, penso que se possa manter o mesmo nível de bom senso quando se trata
do setor privado. De Miriam Leitão, testa de ferro da globo, a Celso Ming,
testa de ferro do estadão, impera um pessimismo indecoroso, para não dizer, uma
aposta consciente contra o próprio país, a sua autonomia e soberania.
Continuam a
fazer coro a inumeráveis economistas, serviçais do sistema financeiro
internacional, cujo centro articulador predominante ainda vem da tradicional
Wall Street. Insistem em refletir o
Brasil e toda América Latina no espelho norte americano, como se tivéssemos o
mesmo papel mundial que os EUA desempenham no campo econômico, político e
militar.
Loucura
desvairada, pois, sabemos bem o que significou a equiparação econômica da zona
do euro de Grécia e Portugal ao feroz capitalismo alemão, evidente ruína aos
primos pobres. Não é necessário ter moeda comum para perder poder sobre a
política econômica, há outros meios antigos e eficientes para submeter bancos
centrais dos estados à vontade externa, afinal, o sistema de créditos
internacional passa por organizações americanas importantes e espalhadas pelo
planeta.
Bom,
voltemos ao artigo de Amir Kahir de hoje (29/12), tal texto revela, na minha
interpretação expandida, e de forma sutil o esquema poderoso do sistema
financeiro internacional como sendo, o maior dos males. Ao focar a inflação como
mal superior e consequencia do déficit no resultado primário (= receita –
despesas), exceto dívidas financeiras, o sistema esconde a perversidade da
política de juros. É a velha história de que o estado gasta mais do que
arrecada.
Ao extrair
as dívidas financeiras na metodologia, oculta-se a essência da especulação, o
coração do sistema, em outras palavras, o mecanismo reprodutor dos juros. De
forma planejada o poderoso sistema financeiro ataca governos não alinhados a sua
lógica de interesses.
A inflação sobre
suposto descontrole vira alvo, e sucessivos aumentos na taxa básica (Selic) são
disparados com a finalidade de conter a elevação dos preços, assim, os juros das
contas públicas no Brasil consomem 5% do PIB, enquanto em outros países de
mesmo porte ficam entre 1 e 2%.
Com enorme
esforço a nação economiza bilhões (superávit primário) para pagar esses juros,
o que reduz a capacidade de investimentos em saúde, educação, transporte e
infraestrutura.
Amir ainda
colocou dados da relação direta entre os juros e os déficits, desarmando a
demagógica e mecânica visão de que as despesas do estado deteriorem o equilíbrio
fiscal, na verdade o vilão neoliberal continua sendo a taxa de juros.
Esse grande
sistema de corrupção legalizada deveria ter sido o alvo principal das
manifestações de Junho, uma vez que, esse mesmo mecanismo se reproduz e se perpetua
financiando o sistema eleitoral no país em conluio com grandes grupos
econômicos industriais, empreiteiras e bancos.
Nesse
sentido, o chamado “ mensalão” foi um show midiático que visava tirar o foco do
principal, o ou seja, a elite financeira ousou sacrificar alguns a qualquer
custo para transparecer moralidade, desse modo, ela continua a explorar e
preservar o modelo vigente e podre.