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A PERVERSIDADE DA POLÍTICA DE JUROS E A FALSA PRESSÃO INFLACIONÁRIA

Postado por Bernardino Brito domingo, 29 de dezembro de 2013 0 comentários

Os artigos de Amir Khair no Estadão salvam o desequilibrado e injusto editorial econômico do mesmo jornal. Com prudência, Amir Khair se apresenta com conteúdo diferente daqueles que são bem pagos por uma elite a fim de escrever contra o governo.

Se democracia jornalística implica em independência política em relação a governos, penso que se possa manter o mesmo nível de bom senso quando se trata do setor privado. De Miriam Leitão, testa de ferro da globo, a Celso Ming, testa de ferro do estadão, impera um pessimismo indecoroso, para não dizer, uma aposta consciente contra o próprio país, a sua autonomia e soberania.

Continuam a fazer coro a inumeráveis economistas, serviçais do sistema financeiro internacional, cujo centro articulador predominante ainda vem da tradicional Wall Street.  Insistem em refletir o Brasil e toda América Latina no espelho norte americano, como se tivéssemos o mesmo papel mundial que os EUA desempenham no campo econômico, político e militar.

Loucura desvairada, pois, sabemos bem o que significou a equiparação econômica da zona do euro de Grécia e Portugal ao feroz capitalismo alemão, evidente ruína aos primos pobres. Não é necessário ter moeda comum para perder poder sobre a política econômica, há outros meios antigos e eficientes para submeter bancos centrais dos estados à vontade externa, afinal, o sistema de créditos internacional passa por organizações americanas importantes e espalhadas pelo planeta.

Bom, voltemos ao artigo de Amir Kahir de hoje (29/12), tal texto revela, na minha interpretação expandida, e de forma sutil o esquema poderoso do sistema financeiro internacional como sendo, o maior dos males. Ao focar a inflação como mal superior e consequencia do déficit no resultado primário (= receita – despesas), exceto dívidas financeiras, o sistema esconde a perversidade da política de juros. É a velha história de que o estado gasta mais do que arrecada.

Ao extrair as dívidas financeiras na metodologia, oculta-se a essência da especulação, o coração do sistema, em outras palavras, o mecanismo reprodutor dos juros. De forma planejada o poderoso sistema financeiro ataca governos não alinhados a sua lógica de interesses.

A inflação sobre suposto descontrole vira alvo, e sucessivos aumentos na taxa básica (Selic) são disparados com a finalidade de conter a elevação dos preços, assim, os juros das contas públicas no Brasil consomem 5% do PIB, enquanto em outros países de mesmo porte ficam entre 1 e 2%.

Com enorme esforço a nação economiza bilhões (superávit primário) para pagar esses juros, o que reduz a capacidade de investimentos em saúde, educação, transporte e infraestrutura.

Amir ainda colocou dados da relação direta entre os juros e os déficits, desarmando a demagógica e mecânica visão de que as despesas do estado deteriorem o equilíbrio fiscal, na verdade o vilão neoliberal continua sendo a taxa de juros.

Esse grande sistema de corrupção legalizada deveria ter sido o alvo principal das manifestações de Junho, uma vez que, esse mesmo mecanismo se reproduz e se perpetua financiando o sistema eleitoral no país em conluio com grandes grupos econômicos industriais, empreiteiras e bancos.

Nesse sentido, o chamado “ mensalão” foi um show midiático que visava tirar o foco do principal, o ou seja, a elite financeira ousou sacrificar alguns a qualquer custo para transparecer moralidade, desse modo, ela continua a explorar e preservar  o modelo vigente e podre.

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