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Precisamos defender a política econômica e fiscal de Dilma

Postado por Bernardino Brito domingo, 19 de janeiro de 2014 0 comentários

Por Bernardino Brito

Existe certa criatividade nas contas do governo? Sim, mas são receitas verdadeiras, fatos concretos. Tal metodologia pode até causar certo desconforto, nunca desconfiança, ou mesmo ser interpretada como má fé.

Sendo as plataformas de petróleo produzidas no Brasil, levadas para fora e depois alugadas pela Petrobras, seria insano fazer o transporte para fora do país de algo que irá retornar, do ponto de vista contábil e seguindo contratos de exportação, importação, o lançamento como receita é lícito.

Do mesmo modo os 15 bilhões arrecadados no leilão do campo de libra são reais, embora represente uma receita extra.

As agências de classificação internacional ficaram de mãos atadas em relação a essa contabilidade, sabemos que há muito tempo desejam rebaixar a nota do Brasil no mercado internacional a fim de pressionar mudanças na política econômica brasileira.

O discurso demagógico se reduz a justificar que o baixo desempenho da economia esteja associado ao crescimento das despesas primárias, ou seja, direcionada principalmente ao custo da máquina pública, salário dos servidores, previdência, programas sociais e etc.

Interessante observar que esse grupo de economistas, office boy do sistema financeiro internacional, sempre abordam a questão fiscal excluindo (escondendo) o impacto dos juros no resultado final.

Intencionalmente a taxa de juros é sacralizada com a finalidade de impedir qualquer tipo de questionamento, desafiar o mecanismo o torna um herege a ser queimado na fogueira.

Sendo a taxa de juros propagandeada como algo bom e como a principal ferramenta de combate a inflação, essa demonizada ao extremo (como se pudéssemos dar liquidez e fazer investimentos pesados sem pressionar o índice). Primeiro cria-se o terror inflacionário, afirma-se todo dia que ela tende ao descontrole, é a velha prática do nazismo, “repita uma mentira mil vezes até que ela se torne verdade – Joseph Goebels”, depois dispara-se o mecanismo milagroso de correção dos juros.

A busca principal do sistema financeiro (capitalista) internacional, podemos dizer, “a menina dos olhos”, é a taxa de juros, a ela deve se submeter as contas públicas, a inflação e o câmbio, nunca o contrário como imaginamos.

Esse discurso de desequilíbrio fiscal que visa atingir o governo Dilma é frágil, sob vários aspectos, por exemplo, a dívida líquida deixada por FHC era 60% do PIB, atualmente é 60%, mas é a bruta, então houve melhora significativa na relação dívida x PIB. Eles tentam confundir os dois tipos de 60% (um líquido, outro bruto), é tática para desmoralizar.

Quando falam de crescimento maior dos nossos vizinhos emergentes, esquecem a particularidade de cada etapa capitalista em que cada um se encontra, questão que não irei debater aqui, apenas dizer que o nosso modelo é mais amplo e desenvolvido e que está praticamente estabilizado porque precisa passar de fase, algo que não se faz do dia para a noite. Para facilitar a compreensão basta comparar as fases de um jogo de vídeo game, quando se chega a etapas importantes de transição, dá um suador danado.

O Brasil poderia adotar contratos de mercado bilaterais com as principais economias como fez o México, Chile, Peru e outros, mas optou pela fidelidade ao Mercosul, pois pensa a economia à partir da cooperação e não como salve-se quem puder, assim gera confiança a Argentina, Bolívia, Venezuela, etc.

Evidente que essa posição incomoda os EUA, cujo objetivo, será desfazer alguma espécie de liderança praticada pelo Brasil na América, as forças políticas de centro e esquerda precisam compreender esse jogo e resistir.

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