Por Bernardino Brito
Existe certa
criatividade nas contas do governo? Sim, mas são receitas verdadeiras, fatos
concretos. Tal metodologia pode até causar certo desconforto, nunca
desconfiança, ou mesmo ser interpretada como má fé.
Sendo as
plataformas de petróleo produzidas no Brasil, levadas para fora e depois
alugadas pela Petrobras, seria insano fazer o transporte para fora do país de
algo que irá retornar, do ponto de vista contábil e seguindo contratos de
exportação, importação, o lançamento como receita é lícito.
Do mesmo
modo os 15 bilhões arrecadados no leilão do campo de libra são reais, embora represente
uma receita extra.
As agências
de classificação internacional ficaram de mãos atadas em relação a essa
contabilidade, sabemos que há muito tempo desejam rebaixar a nota do Brasil no
mercado internacional a fim de pressionar mudanças na política econômica
brasileira.
O discurso
demagógico se reduz a justificar que o baixo desempenho da economia esteja
associado ao crescimento das despesas primárias, ou seja, direcionada principalmente
ao custo da máquina pública, salário dos servidores, previdência, programas
sociais e etc.
Interessante
observar que esse grupo de economistas, office boy do sistema financeiro
internacional, sempre abordam a questão fiscal excluindo (escondendo) o impacto
dos juros no resultado final.
Intencionalmente
a taxa de juros é sacralizada com a finalidade de impedir qualquer tipo de
questionamento, desafiar o mecanismo o torna um herege a ser queimado na
fogueira.
Sendo a taxa
de juros propagandeada como algo bom e como a principal ferramenta de combate a
inflação, essa demonizada ao extremo (como se pudéssemos dar liquidez e fazer
investimentos pesados sem pressionar o índice). Primeiro cria-se o terror
inflacionário, afirma-se todo dia que ela tende ao descontrole, é a velha
prática do nazismo, “repita uma mentira mil vezes até que ela se torne verdade –
Joseph Goebels”, depois dispara-se o mecanismo milagroso de correção dos juros.
A busca
principal do sistema financeiro (capitalista) internacional, podemos dizer, “a
menina dos olhos”, é a taxa de juros, a ela deve se submeter as contas
públicas, a inflação e o câmbio, nunca o contrário como imaginamos.
Esse
discurso de desequilíbrio fiscal que visa atingir o governo Dilma é frágil, sob
vários aspectos, por exemplo, a dívida líquida deixada por FHC era 60% do PIB,
atualmente é 60%, mas é a bruta, então houve melhora significativa na relação
dívida x PIB. Eles tentam confundir os dois tipos de 60% (um líquido, outro
bruto), é tática para desmoralizar.
Quando falam
de crescimento maior dos nossos vizinhos emergentes, esquecem a particularidade
de cada etapa capitalista em que cada um se encontra, questão que não irei
debater aqui, apenas dizer que o nosso modelo é mais amplo e desenvolvido e que
está praticamente estabilizado porque precisa passar de fase, algo que não se
faz do dia para a noite. Para facilitar a compreensão basta comparar as fases
de um jogo de vídeo game, quando se chega a etapas importantes de transição, dá
um suador danado.
O Brasil
poderia adotar contratos de mercado bilaterais com as principais economias como
fez o México, Chile, Peru e outros, mas optou pela fidelidade ao Mercosul, pois
pensa a economia à partir da cooperação e não como salve-se quem puder, assim
gera confiança a Argentina, Bolívia, Venezuela, etc.
Evidente que
essa posição incomoda os EUA, cujo objetivo, será desfazer alguma espécie de
liderança praticada pelo Brasil na América, as forças políticas de centro e
esquerda precisam compreender esse jogo e resistir.
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